As pesquisas mais recentes mostram que depressões, surtos psicóticos e ataques de pânico alteram a estrutura cerebral em termos químicos (neurotransmissão), microscópicos (neurônios, dendritos e axônios) e estruturais (volume de certas estruturas cerebrais). Provavelmente essa é a explicação para o que se sabe há décadas: quanto mais cedo se trata depressão, ansiedade, pânico, stress, DDA, psicose, cefaléia, etc., melhor.
Atenção: vale para quase todas as patologias da Neuropsiquiatria: quanto mais cedo se trata uma fase depressiva, ou um surto psicótico, uma cefaléia, um DOC, um ataque de Pânico, etc., melhor. Depois que o cérebro "aprende" a produzir esses sintomas, é cada vez mais fácil para ele produzi-los. Ou seja, crises, "quanto mais tem mais tem e quanto menos tem menos tem". Portanto deixe seus preconceitos de lado e procure tratamento.

Dr Rubens Pitliuk

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Devaneio, uma condição neurológica inata. Muitas pessoas, adultos e crianças, convivem o dia a dia com criticas e reclamações, ou, de forma mais branda, brincadeiras de amigos e parentes, "gozações". Essas pessoas sofrem durante anos com a impressão de que são errados, diferentes, que estão à margem do grupo, alguns chegam a pensar que são "loucos" embora não consigam encontrar respostas que explique a confusão mental, a ansiedade ou, afinal, de que mal estão sofrendo e vários profissionais que os atenderam, infelizmente, ainda não estão familiarizados com a síndrome. Aos poucos vão percebendo que não conseguem aprender certas coisas na escola, que se entediam em ambientes de estudo e concentração, e, principalmente, tem uma facilidade para o devaneio, para pensamentos distantes do momento em que se encontram e precisam de esforço maior para prestar atenção naquilo que se propõem a fazer e que, realmente, tem alguma coisa "diferente" dos outros.

Não conseguem traçar e seguir um rumo para suas vidas, mudam de planos freqüentemente, mudam de empregos, facilmente se aborrecem com o que parecia ser uma grande idéia, tem um sentimento crônico de que são de "Segunda Categoria" e se sentem mais a vontade em ambientes que pouco solicitam comportamentos sociais mais sofisticados. Não conseguem ficar parados em uma sala de aula ou outro ambiente que limite sua inquietude, não conseguem discutir assuntos com tranqüilidade, são esquentados e de "pavio curto", dizem palavrões impulsivamente, não tem respostas adequadas para situações de surpresa. Para quem os rodeiam, são tidos como "diferentes" e "indisciplinados", de que "reclamam de que nenhum trabalho serve", e que provavelmente "não tem autodisciplina", "não se esforçam suficientemente", "não tem ambições na vida". Mas o que parece ser desleixo trata-se de uma condição neurológica clinicamente comprovada, o

DISTÚRBIO DE DÉFICIT DE ATENÇÃO, ou DDA (ou TDAH), COM OU SEM HIPERATIVIDADE.

Clinicamente comprovada e descrita no Código Internacional de Distúrbios do Comportamento.

Os sinais de disfunção e inconstância de atenção, de impulsividade e devanear crônico NÃO desaparecem por encanto, continuam com a pessoa, infiltrados nos processos de raciocínio e cognição, travando e dificultando as crescentes complicações do dia a dia dos adultos.

Há algum tempo atrás, ao recomendar a uma mãe de uma destas crianças, cujo filho, já um adulto, que lesse material sobre DDA (ou TDAH) em adultos, ela me respondeu surpresa e preocupada: "isto ainda não terminou?"

Não, não terminou, não vai desaparecer por mágica e vai continuar por toda a vida, se não for tratada. Esta página é dedicada ao reconhecimento da EXISTÊNCIA desta síndrome em adolescentes e adultos, em linguagem simples, uma linguagem mista de científica com literária, para que os não profissionais tenham acesso a este conhecimento.

CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS PARA DISTÚRBIO DE DÉFICIT DE ATENÇÃO EM ADULTOS

O critério é atendido somente se o comportamento descrito aqui é muito mais freqüente do que o apresentado pela maioria das pessoas da mesma idade mental.

A. Uma perturbação crônica em que pelo menos quinze entre as seguintes características estejam presentes:

1. Uma sensação de baixo rendimento, de não atingir as próprias metas, independente de quanto a pessoa realiza. Começamos com este sintoma porque é o motivo mais freqüente que leva o adulto a procurar ajuda. "simplesmente não consigo me realizar" é a queixa mais comum. A pessoa pode ate ser considerada um sucesso por padrões objetivos, ou estar se debatendo, como que perdido em um labirinto, incapaz de fazer uso de seu potencial.

2.Dificuldade em organizar se . um dos maiores problemas para a maior parte de adultos com DDA (ou TDAH). Sem a estrutura da escola, ou os pais por perto para manter as coisas organizadas para ele, o adulto pode titubear perante as demandas da vida cotidiana. As supostas pequenas coisas podem amontoar-se, criando enormes obstáculos. por um mero detalhe - um compromisso não cumprido um cheque perdido, um prazo esquecido -, pode-se perder o reino.A situação fica muito difícil para profissionais autônomos ou que trabalhem sem uma estrutura organizacional, são vitimados pelo caos.

3. Adiamento crônico do inicio de tarefas. A realização de tarefas por adultos com DDA (ou TDAH) é associada a tanta ansiedade - em razão do receio de não as fazer direito - que eles as empurram para mais tarde, e mais tarde, o que, obviamente, só faz aumentar a ansiedade ligada a tarefa. Muitos projetos tocados simultaneamente; dificuldade em levá-los adiante, terminando em tédio e abandono das tarefas.

4. Conforme uma tarefa é deixada de lado, outra é assumida. .Um corolário do número. 3. Ao fim do dia, da semana ou do ano, incomensuráveis projetos são empreendidos, mas poucos são concluídos.

5. Tendência a dizer o que vem à mente, sem considerar o momento e a conveniência do comentário. Assim Paulo dizia para uma colega nova de trabalho como não gostava de psicólogos para ouvir em seguida:"eu estudo psicologia". Como a criança com DDA (ou TDAH) em sala de aula, o adulto com DDA (ou TDAH) se deixa levar pelo entusiasmo-a diplomacia e a malícia se rendem a lampejos infantis.

6. Busca freqüente por forte estimulação. O adulto com DDA (ou TDAH ou Déficit de Atenção ou Hiperatividade) está sempre à procura de algo novo, envolvente, algo do mundo extremo que possa vibrar como o turbilhão em seu (intimo).

7. Intolerância ao tédio. Corolário do número 6. Na verdade, a pessoa com DDA (ou TDAH) raramente se sente entediada, pois, no mesmo segundo em que detecta o tédio, parte para a ação e encontra algo novo; e então muda de cena.

8. Facilidade para distrair-se, Problema de concentração, tendência a se desligar ou ficar A deriva no meio de uma pagina ou diálogo, as vezes acompanhados de uma capacidade de hiper concentração. A marca registrada do DDA (ou TDAH ou Déficit de Atenção ou Hiperatividade). O "desligamento' é um momento involuntário, acontecendo quando a pessoa não está olhando, por assim dizer, e a próxima coisa que se percebe é que ela não está ali. A capacidade, muitas vezes, extraordinária de hiperconcentração também costuma estar presente, enfatizando o fato de que em verdade essa é uma síndrome não de déficit de atenção, mas de inconstância na atenção.

9. Freqüentemente criativo, intuitivo e muito inteligente. Não é um sintoma, mas uma característica que merece ser mencionada. Os adultos com DDA (ou TDAH) em geral têm mentes mais criativas do que a média. Em meio à sua desorganização e devaneio, demonstram lampejos de talento. Capturar esse "algo especial" é um dos objetivos do tratamento.

10. Dificuldade em seguir caminhos preestabelecidos, em proceder de forma "apropriada". Contrariamente ao que se possa pensar, isso não se deve a algum problema não resolvido com figuras de autoridade; trata-se, antes, de uma manifestação de tédio e frustração: tédio por estar fazendo coisas seguindo uma rotina e excitação por novas abordagens, e frustração por não ser capaz de fazer as coisas da forma como "deveriam" serem feitas.

11 . Impaciência. Baixa tolerância à frustração. Qualquer tipo de frustração remete o adulto com DDA (ou TDAH ou Déficit de Atenção ou Hiperatividade) a todos os seus fracassos do passado. "Ah, não!", diz ele. "Aqui vamos nós de novo." Por isso, fala engolindo palavras, não consegue expressar suas idéias claramente, sente raiva ou se recolhe. A impaciência deriva da necessidade de estímulo constante, podendo fazer com que os outros o considerem imaturo ou insaciável.

12. Impulsivo, 

Verbalmente ou nas ações - como gastar dinheiro impulsivamente, mudar de planos, fazer modificações em projetos profissionais, mudar de empregos, cansar da namorada/o, primeiro fazer, depois pensar e coisas desse tipo. Chamamos de impulsividade o hábito do individuo ceder aos seus impulsos facilmente. Por exemplo, comprar por impulso, sem importar se a compra é necessária ou não. A rapidez da ação impulsiva também contribui para que o impulso seja realizado antes de que possa ser pensado. Exemplos de comportamento impulsivo e rápido. ? Desistir de um trabalho, uma viajem, 

? Fazer conclusões precipitadas, efetuar maus negócios. ? Rapidamente ficar cansado de alguma atividade, de uma dieta, do coral, das aulas de piano, da ginástica, etc. ? Improvisação, (falta de planejamento e de organização) um aluno vai para uma prova achando que na hora ele da um jeito, etc. Este é um dos sintomas mais perigosos em adultos, ou, dependendo do impulso, um dos mais úteis.

As conseqüências de não conseguir sustentar o pensamento em um mesmo foco trazem ao indivíduo uma série de resultados negativos. A impulsividade afeta a maneira pela qual as pessoas pensam, de que forma processam informações, o modo de falar, e desta forma, o tipo de soluções que precisariam para corretamente resolver seus problemas.: Pensamento simplista o tipo de pensamento que é produzido em pessoas impulsivas é caracteristicamente simplista, não elaborado, abreviado e desconectado de outros pensamentos ou ideias. Já que a mente funciona em impulsos, em pensamentos que surgem subitamente, em certos momentos o individuo está em "tempestade de idéias" o que contrasta visivelmente dos momentos em que se sente como se tivesse "um branco" no cérebro. Desorganização intrapsíquica. Quando a mente está sob a influência da impulsividade os pensamentos são processados de maneira desconectada de outras partes do cérebro. O indivíduo impulsivo não tem capacidade de meditar em um problema, não tem auto percepção, e aquelas linhas que comunicam e integram as deferentes partes de sua mente e, como resultado disto, quando ele processa um novo pensamento, isto será feito sem levar em conta as outras partes da mente que deveriam contribuir para o processo de tomada de decisões ou na finalização que deveria ocorrer como resultado final do processamento de todas as informações que foram levadas em conta, e tomam a primeira decisão que aparece. Quando estas pessoas tem as suas mentes desorganizadas, elas são incapazes de planejar o futuro, não conseguem se dedicar a um assunto de forma regular e proveitosa, é incapaz de seguir instruções passo a passo e resistirá à disciplina, e isto são apenas uns poucos exemplos.

13. Tendência a uma preocupação desnecessária e sem fim. Propensão a sondar o horizonte em busca de algo com que se preocupar, ao mesmo tempo que mostra inatenção ou descaso por perigos palpáveis. A preocupação passa a ser aquilo em que a atenção se transforma quando não está concentrada em uma tarefa.

14. Sensação de insegurança. Muitos adultos com DDA (ou TDAH) sentem uma insegurança crônica, não importando a estabilidade de sua vida. É comum que se sintam como se o mundo fosse desmoronar.

15. Humor oscilante, lábil, sobretudo quando desvinculado de uma pessoa ou projeto. A pessoa com DDA (ou TDAH ou Déficit de Atenção ou Hiperatividade) pode ficar de repente de mau humor, depois de bom humor, e novamente mal humorada - tudo isso num espaço de poucas horas, e sem motivo aparente. Essas variações não são tão acentuadas como as que se associam a depressão ou a distúrbio ou transtorno maníaco-depressivo. Mais do que as crianças, os adultos com DDA (ou TDAH) mostram instabilidade de humor. Isso se deve principalmente às suas experiências de frustração e/ou fracasso. mas em parte também à biologia do distúrbio

I6. Inquietude. Em geral, não se encontra no adulto a hiperatividade marcante que encontramos na criança. Em vez disso, o que se observa é algo que parece "energia nervosa": andar de um lado para o outro, tamborilar com os dedos, mudar de posição quando está sentado, sair a toda hora de uma mesa ou quarto, sentir-se tenso quando em descanso.

17. Tendência a comportamento aditivo ou viciado. O vício pode ser de uma droga, como álcool. maconha cocaína, ou uma atividade, com jogar, fazer compras, tomar comprimidos "domésticos" como aspirinas, remédios para gripe, vitaminas, comer ou trabalhar demais.Estas dependências são o resultado de serem pessoas ligadas ao princípio do prazer, tem a tendência de seguirem os impulsos corporais e tem muita dificuldade de parar com as concessões que fazem a uma série de atos prazerosos. Por exemplo; são incapazes de parar de beber e fumar, comer demais, jogar, assistir tv, fazer festas, usar drogas ilicitas, tomar excesso de comprimidos (aspirina, paracetamol e outros), dormir demais, excessiva atividade sexual, etc., simplesmente "porque são coisas gostosas" . Juntamente com personalidade dependente, dicotomização, generalização, obsessões e ansiedade, o indivíduo pode criar um estado de dependência patológica.

18. Problemas crônicos de auto-estima.

19. Auto observação imprecisa.

Pessoas com DDA (ou TDAH ou Déficit de Atenção ou Hiperatividade) são auto-observadoras precários. Não fazem uma avaliação aguçada do impacto que exercem sobre os outros. Em geral, consideram-se menos eficientes ou poderosas do que os outros acham, não tem a menor idéia do dano emocional que podem provocar com seus palavrões, desatenção e o não cumprimento de tarefas prometidas.

20. Histórico familiar de DDA (ou TDAH), DAB, Depressão, abuso de substâncias, ou outros distúrbios de controle dos impulsos ou do humor.

O DDA (ou TDAH ou Déficit de Atenção ou Hiperatividade) parece ser geneticamente transmitido e relacionado às outras condições mencionadas; assim, não é incomum (o que não significa que seja necessário) documentar a história familiar dos mencionados distúrbios. Estes problemas são o resultado direto e lamentável de anos de frustração, rejeição na comunidade, fracasso ou malogro das iniciativas. Mesmo a pessoa com DDA (ou TDAH) que já conquistou o seu espaço se sente anormal. O que impressiona é a capacidade de recuperação da maioria desses adultos, a despeito dos muitos obstáculos.

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