|
|
Durante vários anos da minha
vida (dos 5 aos 11) fui vítima de abusos sexuais por parte do meu tio, irmão
caçula da minha avó. Ela me mandava limpar a casa dele (ele morava ao lado de
nossa casa) eu chorava dizendo que não queria ir, que ele ficava me pegando, me
segurando. Mas ela dizia que era mentira minha e que eu tinha que limpar a casa
dele, por que ele tinha carro e ela precisava do carro para passear, fazer
compras e outras coisas.
Ele nunca teve relação sexual efetivamente comigo (com penetração), mas me
segurava esfregando, retirava o membro e ejaculava na minha genitália, coxas e
nádegas, além de me segurar e fazer sentar no colo dele, colocava a mão por
dentro da calcinha e da blusa e me masturbava e me penetrava com os dedos, eu
chorava e tentava fugir, ficava horas trancada no quarto e ele só me deixava ir
depois de eu parar de chorar e prometer não contar, senão ele ia acabar com a
vida da minha mãe e humilhá-la na família por ter uma filha mentirosa.
Eu tinha muito medo, por que ele ameaçava me bater, bater na minha mãe, dizia
que minha avó não ia me perdoar se ele nunca mais desse caronas pra ele, que
ninguém acreditaria em uma criança e ele era o tio bonzinho e ajudava todo
mundo, emprestava dinheiro sempre, fazia concertos na casa toda, que eu ia gerar
vergonha e humilhação para a minha mãe quando ele desmentisse e a família ia
saber dessa estória.
Quando ele comprou um terreno em outra cidade próxima, ele pedia para a minha
avó para me mandar junto para ajudar a construir as paredes e carregar tijolos,
telhas e latas com cimento, e no caminho (na estrada vazia de terra) de ida e de
volta ele retirava o membro das calças e me forçava masturbá-lo, me ameaçando
matar e jogar na estrada, ou ainda me entregar para um bandido e estuprador, ou
ainda me vender para bordéis e prostíbulos que ele afirmava conhecer.
Aos 9 anos um homem passando de carro, abriu a porta do carro, disse se era a
sobrinha do (S) e me mandou entrar porque ele estava machucado, mas não era
verdade, esse homem me levou a um terreno abandonado e muito longe da minha
casa, retirou o membro da calça e com uma faca me obrigou a fazer sexo oral
nele. Depois me soltou e disse que se falasse para alguém ele sabia onde eu
morava e ia me matar e a minha irmã também que era 2 anos mais velha que eu.
Nunca a minha mãe e a minha avó acreditaram em mim. Ficava trancada dentro de
casa e tinha medo de homens, não brincava com outras crianças e não queria me
vestir como menina, com vestidos e blusinhas.
Na mesma época, o meu tio contou para o dono de uma marcenaria perto de casa o
que fazia, ai o dono da marcenaria pagava para ele para ele me levar lá, o
marceneiro fechava as portas da marcenaria e me arrastava até o banheiro no
fundo, me segurava e também me molestava, segurava minha mão e me fazia
masturbá-lo, colocava a mão dentro do meus shorts e calcinha e me penetrava
com os dedos. Enquanto meu tio esperava dentro da marcenaria, ou às vezes ele
ficava olhando e se masturbando também.
Aos 11 anos foi a última vez que ele abusou de mim, não época meus seios já
despontavam e já tinha pelos pubianos, ele me agarrou, me levou para o quarto,
tirou minha blusa, rasgou minha calcinha e só não me estuprou, porque a neta
de 5 anos entrou na casa (moravam no mesmo quintal) chamando por ele e ele teve
que parar. Fugi do local, corri o máximo que pude e só cheguei em casa à
noite, depois de ter andado por horas e nunca mais voltei, quando minha avó
mandava ir visitá-lo eu fugia, me escondia em construções ou casas
abandonadas e só retornava para casa no fim da noite, ela me batia e me
xingava.
Apanhava constantemente, até que consegui um trabalho em uma banca de frutas
aos 12 anos e tudo isso acabou, e ele finalmente concluiu a construção da
casa, ficou doente (com tuberculose) e de cama. Depois de 4 anos morreu e este
foi o dia mais feliz da minha vida!
Nunca perdoei minha mãe e minha avó por elas não terem me defendido! Não
tinha pai, minha mãe teve 4 filhos com homens diferentes que não assumiram as
paternidades, não tinha ninguém para contar e suportava a humilhação que meu
irmão e primos faziam me ofendendo e me agredindo.
Não aceitava rapazes chegarem perto de mim, só comecei a namorar rapazes após
ameaças da minha mãe dizendo que iria me por para fora de casa porque não
queria uma filha "sapatão", mas aos 19 anos, após tomar vinho na
sala de casa, também dormi no chão e o "namorado" que minha mãe
tanto adorava me estuprou, acordei com uma dor muito forte e tentei retirá-lo,
mas ele era muito mais pesado e forte e foi até o fim. Nunca contei para a
minha mãe, por que ela não acreditaria e não fazia mais diferença, já tinha
ocorrido!
Comecei a me exercitar e ficar muito forte, fiz várias artes marciais e hoje
sei me defender muito bem. Nunca fui feminina e nunca mais deixei homens se
aproximarem de mim.
Hoje tenho 31 anos e desde os 22 só consigo ter relacionamentos com mulheres e
mesmo assim não sinto prazer com penetração.
J. - Jundiaí / SP
Estou passando por uma situação
com a qual não sei lidar. Tenho lembranças de ter sido molestada sexualmente
quando criança pelo avô de minha melhor amiga. Tive uma série de problemas,
meu pai é alcoólico bem como quase toda a família dele(já não bebe há
muitos anos) mas sempre trabalhou e cuidou bem da família, fazia mais mal a si
do que aos outros. Sempre tive um comportamento sexual exacerbado, me masturbo
quase diariamente desde os 9, 10 anos. Conheci meu ex-marido com 14 anos, com
ele perdi a virgindade e tive um filho, sete anos depois. Me separei dele e me
envolvi com um demônio. Sofri todos os tipos de abuso possíveis, físicos e
psicológicos. Meu filho de 3 anos viveu 11 anos de inferno junto a mim, nessa
época. Com ajuda da polícia, consegui me livrar, mas com sérias conseqüências.
Vivia mergulhada em culpa e revolta. Perdi a guarda do meu filho para o pai.
Depois disso, me envolvi com tantos homens que perdi a conta, tornei-me viciada
em sexo. Há alguns anos, comecei a freqüentar reuniões de DASA e mudei
completamente meu comportamento. Fiz terapia, hoje tenho um bom emprego e há um
ano meu filho voltou a viver comigo e há sete meses parei de beber. Quando
parecia que tudo estava indo bem, descubro, por um telefonema de meu filho que
passava as ferias com o pai, que ele foi abusado sexualmente (estupro) pelo irmão
de criação, 2 anos mais velho, quando meu filho tinha 10 anos, ou seja, 4 anos
atrás. A razão dele me contar (pelo telefone) foi que ele
"descontou" a violência sofrida no irmão mais novo, de 7 anos. Sinto
que, não importa o que eu faça, o passado sempre vai me perseguir, que nunca
estarei livre dele. Não sei como agir com meu filho, que está voltando dessas
férias e chega amanhã. Procurei centros de apoio à violência doméstica e
sexual, para tentar encontrar um terapeuta especializado em casos semelhantes,
pois, apesar de meu filho e eu termos acompanhamento psicológico desde o inicio
do ano passado, ele não conseguiu se abrir sobre essa violência que sofreu. Não
consigo evitar pensar que se eu tivesse ficado sabendo, essa nova violência não
teria acontecido, pois teria tentado trabalhar esse trauma com ele e terapia. Não
sei como agir e preciso de ajuda. Sou muito comunicativa, mas não posso
desabafar sobre isso com ninguém, pois tenho medo de que ele seja rejeitado
pelo ato terrível que cometeu. Agradeço a chance de pelo menos ter podido
desabafar. Espero conseguir superar mais esse trauma.
P: É verdade que pessoas que
foram vítimas de pedofilia quando crianças e/ou adolescência, no futuro, além
de serem grandes candidatos a vários tipos de transtornos poderão tornar-se
pedófilos também?
R: Não é verdade. A grande
maioria das vítimas de abuso sexual na infância não se torna
pedófila.
P: Gostaria de saber se, de
acordo com estudos psiquiátricos e psicanalíticos, é possível e/ou comum uma
jovem de 24 anos, que sofreu abuso sexual em criança por pessoa muito querida,
supostamente o pai ou o marido da mãe, atribuir a autoria do crime a outra
pessoa próxima e também muito querida (um tio, por exemplo)? Se houver relatos
e estudos de casos assim, gostaria de receber alguma orientação. Devo
esclarecer que a jovem em questão sofre de depressão, pânico, distúrbios
alimentares e já se feriu duas vezes, com cortes no pulso, sem maior gravidade
mas em situações que declarava querer morrer. Ela também tem epilepsia e
trata-se com neurologista e psiquiatra, mas não faz terapia atualmente. A família
não tem visto melhora significativa do quadro e, cada vez mais, observa-se que
a jovem manifesta um comportamento infantilizado, apesar de ser bastante
inteligente, sendo, inclusive, psicóloga formada há dois anos, por instituição
de ensino de qualidade reconhecida. Devo acrescentar que a pessoa em questão
parece não ter se refeito nunca da separação dos pais aos 7 anos,
principalmente porque se sentiu abandonada, uma vez que o pai não foi
participativo. Aos 18 anos, começou a ter convulsões/conversões e, no mesmo
período, começou a enfrentar um caso sério na família, com uma doença grave
da mãe (que, além da hepatite C, diabetes e Hashimoto, também sofre de
depressão), de quem é dependente emocional e financeiramente.
R: Leia a introdução da página
1 destas perguntas e respostas.
|